Fevereiro de 2014
Enrubesces-me. Quando me olhas, esvaio-me, quando me tocas, incandesço-me. Sou feita de súplicas quando estamos juntos. Tens-me as partes, tens-me o todo, tens-me do lado de fora e do lado de dentro, tens-me traça para a tua luz, persigo-te até te apagares e me deixares na escuridão. Vês-me a alma? Vês os rasgos na carne da alma por dentro, feitos pela fúria com que me amas?
Às vezes tenho medo da quantidade de amor que nos une. A partir de quanto é que é amor de mais? Haverá um índice de amor corporal? Terei amor a mais para o meu corpo? Tenho a certeza que sim, sou obesa de amor. E ele depois transborda, e invade tudo o resto. E és tu, és tu que me dás o alimento que me engorda a alma.
És tu meu amor, és o meu amor à porta do prédio, és o meu amor nas escadas, no escuro do portal, és o meu amor à porta de casa, és o meu amor no corredor, és o meu amor à porta do quarto, és o meu amor lá dentro, dentro do meu, teu, nosso quarto, és o meu amor na minha, tua, nossa cama, és o meu amor na janela quando recitamos poemas à lua com as estrelas como candelabros.
Gastas-me, usas-me, estilhaças-me.
A forma como me abraças, a forma como me apertas, a forma como me beijas, a forma como me reclamas.
Não posso, não quero ser incomodada por ninguém, só tu me podes incomodar.
Só tu me vês o lado de dentro da alma, o lado do avesso, onde estão as costuras amor, onde me revelo, só para ti, porque me conheces a linha e se eu me descoser por dentro, tu sabes dar-me um ponto e pôr-me como nova.
Amor omnia vincit
J.S.R.
Porque todo o ser humano deveria receber uma carta de amor.
Porque é urgente o amor.
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