Fevereiro de 2014
Resolvi escrever-te, porque as palavras escritas são escudo que me protege de embaraço. Declaro-me ao papel e ele dá-te o recado. E eu espero resposta,ansiosa, expectante.
É um jogo de sorte, o amor. Amarmos alguém e essa pessoa sentir o mesmo, num mundo de 7 biliões de pessoas… É quase inacreditável. Acaso, destino, intervenção divina, química… O que quer que escolhamos acreditar, não há uma só definição de amor. Cada um o sente de forma diferente. Ninguém pode realmente saber o que vai dentro do outro. Eu, por exemplo, eu amo obcecadamente, excessivamente, ebriamente. Chego a extinguir-me no outro, por vezes.
E tu, tu chegaste assim do nada, arrebataste-me, afogaste-me em beijos lúbricos, carícias sôfregas, olhares inebriantes.
Encaixaste em mim, o meu corpo ebúrneo, o teu corpo plúmbeo, mesclados, tornados num só.
Amor não tem cor, a alma é incolor.
A tua pele áspera, marcada pela vida, as tuas mãos calejadas, os teus olhos negros, de um negrume que me engolfa, a tua boca grossa que me conhece os cantos, que me beija os poros e diz o meu nome baixinho, sussurrado como se fosse um segredo bem guardado.
E é nesses momentos que partilhamos, que compreendo que o amor é mutável, não te amo hoje como te amava ontem, E amanhã, amanhã amar-te-ei se possível mais, talvez menos se hoje nos zangarmos, talvez na mesma medida se não nos virmos.
E contigo subo e desço, ascendo e caio, encontro-me e perco-me. Somos tudo e nada, somos amor e ódio, somos sim e não, somos a espada e a parede.
Levas-me ao céu, atiras-me ao chão e depois apanhas o resto de mim, recolhes-me. Adoentas-me e curas-me. És doença, vacina, cura e antídoto. És tudo, és totalidade. Luz e escuridão. E deixas-me assim, lânguida, sem forças, exaurida. Vazia de mim e cheia de ti.
Agora diz-me, poderia dizer-te tudo isto a olhar-te nos olhos? Esses olhos negros cor de ébano?
Não, faltar-me-ia o ar e terias que salvar-me com um beijo.
Amor omnia vincit
J.S.R.
Porque todo o ser humano deveria receber uma carta de amor.
Porque é urgente o amor.
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