Tuesday, 4 February 2014

Carta nº 3 (Avenida da França)

Fevereiro de 2014

São os teus beijos languescentes amor. São eles que me deixam sem forças, desterrada, exilada de mim, sem norte.

Procuro a tua boca como quem procura alimento, os teus beijos são os nutrientes que o meu corpo exige, o teu abraço o cobertor que me envolve, o teu olhar o mar onde mergulho e lavo a alma, o teu cheiro a minha bússola, os teus dedos piratas no meu navio, o prazer o nosso tesouro.

São dias sem te ver, horas intermináveis, minutos acutilantes, segundos perpétuos em que não mergulhamos juntos no mar de seda e nos deixamos afogar entre gemidos suplicantes e pingos de suor que cintilam nos nossos corpos desesperados.

Quando te verei?

Sinto-me um viciado sem a sua droga, abandonado à sua sorte, a desejar mais uma dose, só mais uma dose, pelo menos mais uma dose.

Vem e injecta-me prazer nas veias, na carne, na alma. Beija-me os cabelos, beija-me os olhos, beija-me o nariz, beija-me a boca, beija-me os braços, beija-me as mãos, beija-me as pernas, beija-me os pés, beija-me o ventre, beija-me as costas, beija-me as omoplatas, beija-me os seios, beija-me o sexo amor, beija-me só, beija-me apenas.

São dias assim, em que penso só nos teus beijos, são alento e desalento, alimento e veneno, ânsia e pavor. Anseio por eles, mas tenho medo, medo do quanto preciso deles, do quanto preciso de ti.

Amor omnia vinvit

J.S.R.

Porque todo o ser humano deveria receber uma carta de amor.

Porque é urgente o amor.

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